
Afundado numa poltrona, um menino que, por um singular fenômeno, ainda gosta de ler, causa apreensões. Sua mãe diz à visita: "Estamos muito preocupados com o Guilherme". Que pequeno esquisito! Gosta de se concentrar, de ler, de abstrair! Se isto continuar, será preciso levá-lo ao psiquiatra. Este, por certo, se alarmará diante da "marginalidade" deste menino esquisito. E não sossegará enquanto não tiver feito dele um adorador da televisão.
É por estes e outros meios que os mais velhos, responsáveis pela manutenção do pouco que nos resta de bom senso e equilíbrio, pactuam tantas vezes com os vícios de nossos dias, e se transformam em agentes eficazes da imensa derrocada mental do século XX.
Exagero de um caricaturista! Como fazer sobre ele qualquer comentário serio?
Bastaria ir às praias e às "boites", para ver como a "charge" é justa, pois os mocinhos e mocinhas de sessenta anos ou mais tomam a vanguarda da modernização.
Na fotografia, trabalhistas ingleses dançam numa reunião partidária. Seria possível ostentar mais claramente tudo que há de débil, "gauche" e desgracioso na velhice? Seria possível estar mais desnudo da respeitabilidade, da gravidade e da poesia ( no bom sentido deste termo tão ambíguo ) que são seu único adorno?
Até a velhice parece ter desertado muitas e muitas vezes de seu posto.
Na Sagrada Escritura se lamenta a sorte das nações cujo Rei é um menino ( Ecle. 10,16 ).
Hoje há poucos Reis. Mas temos avós-meninos. E a desgraça parece muito maior...