sexta-feira, 18 de abril de 2008

Maria Antonieta, Rainha de França

Vítima do implacável ódio revolucionário
Plinio Corrêa de Oliveira

Uma das rainhas mais encantadoras da História (1755 – 1793) viveu seus últimos dias no cárcere da Conciergerie. Ela já estava condenada à pena capital, tendo sido ali colocada para aguardar a execução. Foi de tal prisão que saiu para ser guilhotinada.
Quando estive visitando esse local — o famoso cachot — tive a impressão, entrando nele, de sentir a dureza implacável de sua condenação à morte. Arrastar até esse cachot aquela rainha — uma flor de civilização, de graça, e em alguma medida de tradição católica — e dali conduzi-la à morte, só era possível pela implacabilidade do ódio revolucionário.
Maria Antonieta, rainha de França, em todo o seu esplendor











A Conciergerie
No cachot não havia nada que significasse o desejo de tornar um pouco mais leve para ela essas últimas horas. Por exemplo, consentir que houvesse no local um crucifixo, uma imagem sorridente de Nossa Senhora, ou um móvel que ao menos permitisse a seu corpo exausto descansar um pouco de suas dores e de suas apreensões. “Umbræ mortis circundederunt me” (as sombras da morte me rodearam), diz a Sagrada Escritura. Era muito compreensível que naquelas condições, sob o peso da sombra da morte, ela encontrasse pelo menos uma poltrona confortável onde sentar-se. Não. Dispunha apenas de um catre para dormir.
Não me lembro em que historiador li a seguinte descrição. De manhã, a janelinha do cachot não tendo vidro nem veneziana, com os primeiros albores do dia ela acordou. Um dia feio, com nuvens pesadas. Alguém a viu deitada de lado, com a cabeça apoiada numa das mãos, enquanto ouvia ao longe os sons de tambores que chegavam das mais variadas distâncias. Provinham das diversas seções de uma espécie de guarda republicana que existia em todos os bairros de Paris. O ruído dos tambores visava despertar o povo e convocá-lo para dirigir-se à praça — hoje denominada abstrusamente Praça da Concórdia —, a fim de assistir à decapitação da rainha.
Ela sabia disso. Ouvia portanto esses tambores de ódio conclamando a população, das mais variadas distâncias de Paris, para assistir ao regicídio.
Estaria ela se lembrando do quê? Talvez de sua esplêndida Schönbrunn natal — o palácio imperial em Viena, no qual residiu — talvez da Hofburg, outro majestoso palácio da família. Quiçá deste ou daquele lugar encantador da Áustria, de tapeçarias, móveis estupendos, reverências. E de tudo o mais que compusera o ambiente fabuloso de sua vida na pátria que não mais veria.
Representação de soldados vigiando a Rainha dentro de sua cela


Em seguida, o ódio revolucionário que sobe, uma tempestade que se forma e raios que se descarregam.
Nesse sentido, é expressivo o desenho dela, sentada na carreta que a conduzia à guilhotina, de autoria do pintor Jacques Louis David (1748–1825), que assistiu à cena.
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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 12 de abril de 1989. Sem revisão do autor.

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